sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

O vergonhoso Campeonato Feminino de 2008

O futebol feminino na Bahia teve início na década de 50. Os times pioneiros foram o Vitória e o Ypiranga. No entanto, não existiam campeonatos nesta época, apenas alguns amistosos entre os times, sempre de forma amadora. As atletas não se reuniam constantemente. Nos anos 80, Bahia e Catuense também montaram as suas equipes.
Somente em 1982 ocorreu o primeiro Campeonato Baiano, disputado por oito equipes: Clube Bahiano de Tênis, Associação Atlética da Bahia, Clube Itapagipe e Vasco da Gama, todao de Salvador, além da Catuense, Flamengo e Clube Cajueiro, ambos de Feira de Santana e Teodoro Sampaio.

O detalhe é que o torneio não foi organizado pela Federação Baiana de Futebol (FBF) e sim pela TV Itapoan (na época, afiliada do SBT), a partir do interesse pessoal de Pedro Irujo, dono da emissora, pela familia Santarém, dona do time feminino do Vasco da Gama, e também com a ajuda da Sudesb. No entanto, a FBF prestou todo o apoio, cedendo os estádios, as arbitragens e as hospedagens para as equipes.

Os jogos eram transmitidos pela TV Itapoan, ao vivo. O campeonato foi dividido em dois turnos. O Clube Bahiano de Tênis venceu o primeiro e o Flamengo de Feira foi o campeão do segundo. Portanto, as duas equipes foram as finalistas do primeiro Campeonato Baiano Feminino, em 1982.

A primeira partida da final ocorreu no Estádio Alberto Oliveira, em Feira de Santana, mais conhecido como Jóia da Princesa. Houve um empate em 1 x 1. A grande final foi realizada no Estádio da Fonte Nova, em Salvador. Mais de 35 mil torcedores assistiram ao jogo, apesar do duelo ter sido televisionado. O Clube Bahiano de Tênis conquistou o título.

O primeiro campeonato de futebol feminino organizado pela FBF foi em 1998. Doze equipes participaram e o Flamengo de Feira foi o campeão. Os jogos eram realizados principalmente no Estádio de Pituaçu e no campo do SESI, no Largo de Roma, em Salvador.

Hoje o cenário é absolutamente diferente, devido ao descaso da FBF várias equipes não mais disputam a competição, tanto participantes campeões como Campomar, Euroexport e Clube Baiano de Tênis, quanto clubes menores, mas sempre presentes como Cauã de Itabuna, Jacuipense, Luis Anselmo, Clube 2004, Guarany e Atenas.

Antes um campeonato de sucesso de público, com diversos clubes e com meses de duração hoje a competição resume-se a um torneio rápido, com poucos times e sem divulgação.

Em 2007 o futebol feminino chegou ao fundo do poço, a FBF simplesmente decidiu não realizar a competição, em 2008 a maior vergonha da história, foi realizado um campeonato em condições absurdamente precárias como pode ser observado nas fotos abaixo os campos não tinham a mínima condição de jogabilidade com pedaços de paus (de diferentes tamanhos) como bandeirinha, lixo pelo campo, matagal invadindo o gramado e linhas absolutamente tortas. Tudo chancelado a organizado pela administração Ednaldo Rodrigues.







































terça-feira, 28 de dezembro de 2010

A única edição da 3ª Divisão


O Campeonato Baiano já teve 3ª Divisão, o fato ocorreu em 2000, foram seis clubes que participaram naquela que seria a única edição desta competição Tudo começou no arbitral para a 2ª Divisão de 2000 quando 13 clubes se inscreveram da competição, um aumento de cinco clubes em relação ao ano anterior, isso despertou no então presidente da FBF, Virgílio Elísio, a percepção que haviam muitos clubes interessados em entrar no profissionalismo e então decidiu criar a 3ª Divisão. Para a primeira edição tivemos quatro novatos no profissionalismo: Independente, Itapetinga, Paulo Afonso e Renascente. Somados a eles participaram o Atlanta e o Simões Filho que retornavam de licença.

A competição iniciou em 8 de outubro, os times jogariam entre si em turno e returno, os campeões de turno estariam promovidos e disputariam a final. No primeiro turno o Itapetinga fez grande campanha terminando em primeiro com quatro vitórias e um empate, sem derrotas, na final do turno enfrentou o Renascente e aplicou uma bizarra goleada de 9 a 1. No segundo turno o Itapetinga tirou o pé e foi lanterna com três empates e duas derrotas, o Simões Filho, mal no primeiro turno obteve excelente performance e classificou para a final do turno contra o Independente, porém o TJD deu a vitória ao Paulo Afonso por 1 a 0 contra o Atlanta em partida que havia terminado em 2 a 2 tirando a vaga do Simões Filho e dando ao Paulo Afonso. Na final do segundo turno o Independente levou a melhor, perdeu a primeira por 2 a 1 e venceu a segunda por 3 a 0. O Independente deu a volta por cima, após marcar apenas dois pontos no primeiro turno marcou 13 pontos no segundo aumentando o número de gols marcados também de apenas cinco no primeiro turno para 24 no segundo turno.

Na final do campeonato se enfrentaram Itapetinga e Independente, curiosamente ambos obtiveram o título de um turno, mas foram e lanterna do outro. No jogo de ida empate em Feira de Santana em 0 a 0 e na volta em Itapetinga vitória do time local por 1 a 0.

Dois fatos bizarros marcaram esta competição. O primeiro fato foi que o Renascente após ser goleado por 9 a 1 na final do primeiro turno simplesmente perdeu o rumo, logo na abertura do segundo turno levou 9 a 0 do Independente e encerrou sua participação com um W. O. contra o Paulo Afonso, o clube afirmou que o ônibus quebrou na estrada, mas não havia prova alguma do suposto ocorrido. Aliás esta foi a primeira e última participação do time de Candeias na história do futebol baiano.

O segundo fato bizarro foi que esta foi a única competição da história do Itapetinga, possivelmente o único time do mundo que conquistou tudo que disputou, jogou um campeonato, ganhou um. O Itapetinga desistiu da 2ª Divisão de 2001 e Ednaldo Rodrigues, eleito presidente da FBF na época, decidiu convocar o Paulo Afonso como suplente, o fato mais bizarro é que ele criou uma 2ª Divisão com um grupo de 6 clubes e outro grupo de 4 clubes. Desde cedo Ednaldo demonstrava que inteligência não era o seu forte.

Em 2001 a FBF decidiu organizar a segunda edição da 3ª Divisão, porém paralelamente decidiu organizar a Taça Estado da Bahia que dava uma vaga na 1ª Divisão. Logo, era muito mais vantajoso disputar uma vaga na 1ª Divisão do que lutar por uma vaga na 2ª Divisão. Desta forma times da 3ª Divisão como Serrinha, Sisal Bonfinense e Simões Filho escolheram o óbvio, disputar a Taça Estado da Bahia e a 3ª Divisão ficou esvaziada com apenas duas inscrições: o próprio Simões Filho e o Malacarne Futebol Clube de Eunápolis que nem chegou a se profissionalizar. Mais uma decisão pífia de Ednaldo Rodrigues. No fim das contas a FBF decidiu por extinguir a 3ª Divisão o que resultou numa diminuição enorme de clubes em atividade já em 2002.

Curtas: confusões corriqueiras

1) Muitos se perguntam o que foi do Clube Atlético Real Serrinhense que disputou em algumas oportunidades a 2ª Divisão do Campeonato Baiano na década de 90, na realidade nada mais é do que o atual Serrinha Esporte Clube. A mudança de nome ocorreu em 2001 quando o Serrinha retornou a 2ª Divisão.

2) O Itabuna que foi vice-campeão da 2ª Divisão de 96 e disputou a 1ª Divisão em 97 foi o Itabuna Atlético Clube que hoje se chama Grapiúna Atlético Clube, equipe que foi administrada por Edmundo Santos Silva, ex-presidente que sofreu impeachment do Flamengo. Portanto não confundir com o tradicional Itabuna Esporte Clube.

3) Uma confusão normal é acreditar que o Feirense é o antigo Palmeiras Nordeste. A história é a seguinte: em 2000 estreou na 3ª Divisão a Associação Atlética Independente que tornou-se vice-campeão da competição, em 2001 venceu a 2ª Divisão contra o Grapiúna chegando a elite estadual e fez campanha na Série C naquele ano, em 2002 mudou de nome passando a ser Palmeiras Nordeste devido a parceria com o xará paulista. Após poucos anos com resultados expressivos a parceria acabou e o clube também. Então em 2007 o empresário Dilson Gamela, fundador da AA Independente, decidiu retornar com o clube e filiou o Independente EC que venceu a 2ª Divisão de 2007 e em 2008 passou a se chamar Feirense. O Palmeiras Nordeste continua filiado a FBF, porém repleto de dívidas não deve retornar, já o Feirense vai conseguindo se manter a duras penas na 1ª Divisão.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

FBF: passado tão sinistro quanto a atualidade

Os anos de 1989 e 1990 foram de alvoroço na FBF com denúncias de irregularidades e afastamento do presidente da época, hoje a FBF caminha de forma tão desgovernada e descompromissada como na época, vejam algumas manchetes de jornal sobre a eleição de Marcos Andrade.





























































O candidato de oposição Carlos Miranda negociou sua retirada de candidatura e apoio a Marcos Andrade. Veja o documento ao lado registrado em cartório. Será que Marcos Andrade cumpriu com a promessa registrada em cartório de dar o cargo a Carlos Miranda?

sábado, 25 de dezembro de 2010

O Fluminense na Série C de 1992


O Campeonato Brasileiro da Série C de 1992 foi uma competição marcada pela desorganização do início ao fim, a CBF em janeiro daquele ano optou por ampliar a Série B de 24 para 32 clubes deixando a Série C ainda mais enfraquecida, além disso ainda retirou o subsídio aos participantes deixando de auxiliar com viagens e hospedagens o que gerou uma série de protestos e desistências. Após esse fato decidiu recuar e ajudar nos gastos dos clubes de forma parcial, mesmo assim 13 equipes desistiram da competição, entre elas o Fluminense de Camaçari deixando a Bahia apenas com o Fluminense de Feira e Catuense como representantes.

O torneio quase foi cancelado, mas depois de vários adiamentos, acabou sendo disputado com apenas 31 clubes. Segundo o regulamento, o primeiro colocado de cada um dos 7 grupos estaria promovido para a Segunda Divisão de 1993. Estes sete clubes se uniriam a 25 clubes indicados pelas federacões formando a nova Segunda Divisão com 32 clubes, ficando o Campeonato Nacional com apenas duas divisões de 32 clubes.

O Fluminense iniciou sua caminhada com um empate em Feira de Santana contra a Catuense, em seguida mais dois empates com ASA e Sergipe, após esse início ruim o treinador Merrinho foi demitido e em seu lugar entrou o treinador dos juniores, Everaldo Santos, para classificar e garantir o acesso necessitava vencer todos os jogos do 2º turno e assim o fez: 2 a 0 na Catuense, 5 a 0 no Sergipe e 2 a 1 no ASA, desta forma obteve o acesso e a classificação para a Segunda Fase. O próximo adversário foi o Rio Pardo-ES, vitória em Feira de Santana por 1 a 0 e derrota em Iúna por 1 a 0, classificação pela melhor campanha, na Semi-Final o adversário foi o Matsubara-PR, vitória em casa por 1 a 0 e empate em 2 a 2 em Cambará.

A grande final foi contra a Tuna Luso, em Feira de Santana boa vitória por 2 a 0 com dois gols de Ronaldo, na partida de volta o Fluminense começou perdendo com um gol em impedimento de Ageu aos 15 minutos, mesmo com a expulsão de Yeyé, ex-Jacuipense, segurou o título até o fim e em um contra-ataque empatou com Ronaldo aos 42 minutos do 2º tempo. O título parecia garantido já que a Tuna Luso só seria campeã de marcasse dois gols nos acréscimos e infelizmente foi o que aconteceu, aos 45 minutos Manelão fez 2 a 1 e aos 49 minutos Juninho finalizou a partida em 3 a 1 para a Tuna Luso. Desta forma o Fluminense de Feira foi o primeiro clube baiano a ser vice-campeão da Série C, feito repetido por Vitória em 2006 e Bahia em 2007.

No ano seguinte, estas promoções não foram respeitadas e o campeonato de nada valeu.

Colaborou: João Gualberto Carneiro e RSSSF Brasil.

Vídeo do jogo: http://www.youtube.com/watch?v=-_-TDZfK9wY

Catuense: elite nacional bateu na trave duas vezes

Se hoje a Catuense tenta retornar a 1ª Divisão baiana a 20 anos atrás o clube esteve muito próximo da Série A do Campeonato Brasileiro em uma época que a elite nacional tinha 20 clubes na disputa, ou seja, faria parte de um grupo tão seleto quanto é atualmente.

Em 1989 nada mais nada menos do que 96 clubes disputaram a Série B do Campeonato Brasileiro, a Catuense jogando em Alagoinhas passou com elegância pela Primeira Fase com 5 vitórias, 4 empates e somente uma derrota, esta derrota ocorreu na última rodada quando o clube atuou com reservas de forma desinteressada, 1º lugar a frente de Confiança-SE, Fluminense-BA, Leônico-BA, Sergipe-SE e Lagarto-SE. Na Segunda Fase passou pelo Americano-RJ vencendo em Campos por 2 a 1 e perdendo 1 a 0 em Alagoinhas, nas Oitavas-de-Final eliminou o Central-PE com vitória em casa por 1 a 0 e derrota em Caruaru por 2 a 1, nas Quartas-de-Final a vítima foi o Ceará, empate no Castelão em 1 a 1 e vitória em Alagoinhas por 1 a 0. Na Semi-Final o adversário foi o São José-SP, quem vencesse faria a final e estaria na Série A em 1990. Na primeira partida o golpe, com gol de Leandro o São José venceu em Alagoinhas, na volta a Catuense marcou com Vandick, mas Romildo empatou e garantiu o acesso do São José. Faltou um gol para garantir o acesso.

Em 1990 a Catuense novamente fez excelente campanha, na Primeira Fase repetiu a campanha do ano anterior, foram 5 vitórias, 4 empates e uma derrota, 1º lugar a frente de Operário-PR, Juventus-SP, Itaperuna-RJ, Central-PE e Americano-RJ. Na Segunda Fase novamente conquistou o 1º lugar ficando a frente de Moto Club-MA, Juventus-SP e Ceará-CE, este último já era freguês da Catuca. Na Terceira Fase apenas o primeiro colocado do grupo conseguiria o acesso para a Série A, a Catuense realizou boa campanha, mas vacilou no confronto direto com o Atlético-PR ao empatar em casa em 2 a 2 com o rival que obteve o acesso, mesmo com esse tropeço a Catuense ainda teve uma última chance de subir, mas foi derrotada pelo Criciúma no último jogo fora de casa.

O clube que revelou Bobô, Vandick, Zanata, Naldinho e Clemer não se inscreveu para a 2ª Divisão de 2011, segundo a presidente Cida Pena me informou, o motivo é o processo que a Catuense abriu contra o Serrano que hoje tramita no STJD. O clube de Vitória da Conquista escalou dois atletas com identidade falsificada, um era o filho do treinador Elias Borges.

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Aliança de Irecê

O Aliança Esporte Clube de Irecê estreou no profissionalismo na 2ª Divisão do Campeonato Baiano de 1997, na sua primeira partida derrotou o Astro pelo placar de 3 a 0 no Estádio Joviniano Dourado em Irecê. Ao final do primeiro turno encerrou sua participação na 2ª colocação atrás apenas do Camaçari, repetiu essa campanha no segundo turno novamente tornando-se vice-campeão atrás do Camaçari, como o Camaçari venceu ambos os turnos sagrou-se campeão por antecipação e levou a única vaga na 1ª Divisão. O Aliança foi vice-campeão seguido por Jacuipense, Astro e Teixeira de Freitas.

Em 1998 fez sua segunda e última participação na 2ª Divisão, com nove clubes na disputa o Aliança novamente estreou contra o Astro, desta vez em Feira de Santana, porém mais uma vez saiu de campo vencedor, ao final da 1ª fase encerrou sua participação na 4ª colocação conseguindo vaga nas semi-finais. Na Semi-Final o Aliança foi derrotado pelo Cruzeiro, que viria a ser campeão contra o Atlético de Alagoinhas, e foi eliminado, mais uma vez perdeu por pouco o acesso a elite baiana.

Passado o ano de 1998 o Aliança pediu licença para nunca mais retornar, em 2001 ensaiou um retorno, mas não conseguiu reunir condições e desde então apenas disputa campeonatos regionais com suas divisões de base. Sua participação no profissionalismo foi tão relâmpago quanto a do sua vizinho mais próximo, o Jacobina Esporte Clube, porém sem conseguir ascender a 1ª Divisão.